Há equipas que ganham jogos. Há equipas que ganham respeito. Cabo Verde não ganhou e, no entanto, apurou-se na fase de grupos. E conseguiu muito mais que respeito: saiu do mundial 2026 como o exemplo de liderança.
Há equipas que ganham jogos. Há equipas que ganham respeito. Cabo Verde não ganhou e, no entanto, apurou-se na fase de grupos. E conseguiu muito mais que respeito: saiu do mundial 2026 como o exemplo de liderança.
Não foi apenas futebol. Foi carácter, humildade, coesão e equipa. A grandeza não se mede pelo tamanho do país, pela folha salarial ou pelo número de estrelas. Nada disso jogava a favor. Mede-se pela forma como se entra em campo, como se sofre, como se responde e como se sai.
Bubista, fora de campo, e Vozinha, dentro dele, foram dois rostos da mesma liderança. Um construiu o contexto. O outro deu o exemplo. Um alinhou a equipa. O outro segurou-lhe a alma. Liderança é dar direção (Kotter), alinhar pessoas e criar energia para a mudança. Foi isso mesmo que aconteceu. Sem frases de parede e sem slogans espúrios, a equipa de Cabo Verde criou uma bonita história de liderança, assente no autocontrolo, na coragem, na disciplina e na confiança. Com um profundo sentido de serviço.
A seleção de Cabo Verde não se vitimizou. Não pediu desculpa por existir. Não entrou em campo ajoelhada perante os grandes. Jogou. Lutou. Organizou-se. Sofreu. Acreditou. E isso é liderança.
Vozinha representou a autoridade que não precisa de palco. Terá feito o seu último jogo contra a Argentina, em pleno Mundial 2026 e depois de deixar o Desportivo de Chaves, finalizando a carreira. Um guarda-redes que soube viver no lugar mais solitário do campo. Viu tudo e, quando falhou, assumiu-o sozinho, quando salvou, fê-lo em silêncio. Quando resgatou colegas fê-lo por amor à bandeira, à nação, a essa gente pelos quatro cantos do mundo e pelas suas 9 ilhas habitadas. E salvou e resgatou tanto. Aos 40 anos, liderou com presença, não com prosápia. Com algum humor, até, porque é um guarda-redes bom de pés.
Veja a notícia completa aqui