Façamos o exercício mais simples possível. O que é preciso para fazer uma casa.
Artigo de João Figueiredo CEO da Carmo Wood Engineering sobre o tema da Habitação, num excerto retirado do livro “108 Vozes pela Habitação”, da coleção “Vozes”, com coordenação do Iscte Executive Education. Façamos o exercício mais simples possível. O que é preciso para fazer uma casa. À primeira vista, a resposta parece quase infantil de tão óbvia. É preciso um terreno. É preciso acesso. É preciso água, luz e saneamento. É preciso um projeto. É preciso construir. É preciso ligar tudo e habitar. Em teoria, esta sequência deveria ser linear, previsível, quase automática. Em muitos países é. Em Portugal, desfaz-se logo no início, porque o problema nunca foi a casa em si, mas tudo o que a antecede e tudo o que a rodeia.
O terreno raramente é apenas um terreno. É um fragmento, um retalho herdado, dividido e redividido ao longo de gerações, sem escala, sem desenho, sem infraestruturas pensadas para acolher habitação contemporânea. O país cresceu aos bocados, não por planeamento. Criou-se um território onde existe solo disponível, mas raramente existem lotes estruturados, prontos para receber construção de forma eficiente e repetível. Há espaço, mas não há sistema. Há terreno, mas não há cidade no sentido funcional do termo.
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