O Presidente da República já não é o primeiro diplomata da Nação?

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A duas semanas das eleições, é legítimo exigir mais. Mais discernimento. Mais densidade. Mais consciência do papel presidencial.

"Claro que é. Ou que deveria ser. O Presidente da República é, antes de tudo, o primeiro embaixador e o primeiro diplomata português no mundo. Não é gestor do SNS, não é ministro da Habitação, não é secretário de Estado da Educação. Para isso existem governos. O Presidente exerce uma magistratura de influência: na diplomacia política, na diplomacia económica (oh, se precisamos dela!), na diplomacia social. Na Europa, nos PALOP, no Atlântico, no mundo."

"A quinze dias de uma eleição presidencial, pergunto: qual dos candidatos pegou neste tema central da função presidencial e o trouxe para o debate público? E explicou aos portugueses como e o que iria fazer? Vi poucos debates, é certo. Os que vi, porém, foram paupérrimos. Quase todos deslizaram para o terreno do Executivo: saúde, justiça, educação, segurança. Como se estivéssemos a escolher um primeiro-ministro de faixa presidencial. Ou como se estivéssemos numa república de iniciativa presidencial e não parlamentar."

"O essencial ficou sempre de fora. Como se exerce a influência de Portugal num mundo fragmentado? Onde está a estratégia diplomática, e a diplomacia económica, de um chefe de Estado? Que países privilegiar, em que matérias, qual a agenda do chefe de Estado para com esses países? Como se projeta um país pequeno, periférico e relativamente pobre, sem fingimentos nem ilusões?" afirma José Crespo de Carvalho, Presidente do Iscte Executive Education

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