Porque matámos os nossos heróis?

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Deixámos de ter heróis. Ou, pior ainda, deixámos de os apresentar como tal. As novas gerações crescem rodeadas de estímulos, ecrãs, personagens, influenciadores, ruído e consumo, mas com poucos modelos sólidos de identificação.

 

Artigo de opinião de José Crespo de Carvalho, Presidente da Comissão Executiva do ISCTE Executive Education, sobre as personagens fictícias e o que representam na sociedade em geral.

"Há protagonistas, há celebridades, há figuras virais, há gente conhecida por ser conhecida. Só. Mesmo só. Mas heróis? Heróis a sério? Esses parecem ter desaparecido do imaginário, da banda desenhada, do cinema, da escola, da empresa e até da linguagem pública. Apenas uns indiferenciados e inacreditáveis influenciadores: sem criatividade, sem ideias, sem rasgo, sem papel algum que não frases bonitas para promoção pessoal!

Isto tem consequências. Porque o herói não é apenas entretenimento. O herói é pedagogia moral. É uma forma narrativa de dizer a uma criança, a um jovem, a um adulto: podes ser melhor. Podes proteger. Podes servir. Podes sacrificar-te. Podes ter medo e avançar. Podes errar e corrigir. Podes ser útil aos outros sem perguntares primeiro quanto ganhas com isso. Até porque o que ganhas, monetariamente falando, é uma pequeníssima dimensão da vida.

Tintin ensina-nos a procura da verdade, a lealdade e a pureza de intenções. Astérix mostra a defesa da comunidade, a astúcia e a liberdade coletiva. Super-Homem representa a força com contenção, a compaixão e a proteção da vida humana. Pippi das Meias Altas é um expoente de liberdade interior, autenticidade e generosidade espontânea. Shrek ensina que a rudeza pode esconder vulnerabilidade, desejo de aceitação e justiça. Capitão América é dever moral, lealdade e sacrifício pelo bem comum. Lucky Luke faz justiça sem teatro, com autocontrolo e simplicidade. Woody lidera cuidando, sendo útil e leal mesmo quando isso custa. Não são perfeitos. Ainda bem. São reconhecíveis. Têm traços de carácter. Têm falhas. Mas têm missão. Por onde andam? E há novos? Não, não e não. Mas porquê?"

 

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