A formação executiva enfrenta novos desafios: da inteligência artificial à crise da atenção, passando pela internacionalização e pela crescente exigência das empresas
As business schools atravessam um período de mudança, marcado por desafios e evolução tecnológica, que exige ir além da transmissão de conhecimento técnico e reforçar a proximidade às empresas.
As escolas de gestão enfrentam um desafio sem precedentes: a transição de um modelo de transmissão de saber para um ecossistema de experiência e aplicabilidade . Num encontro promovido pela Executive Digest, alguns dos principais nomes do sector analisaram as oportunidades e as ameaças que pairam sobre a formação executiva em 2026. Participaram neste encontro Carmen Silva e João Campos (Técnico +), José Veríssimo (ISEG), Luís Schwab (IPAM), Mafalda Pescaria (The Lisbon MBA), Marta Pimentel (Nova SBE), Paulo Martins (Iscte Executive Education), Sara Pacheco (Católica Porto School of Business and Economics) e Tânia Sousa (Católica Lisbon School of Business & Economics).
O estado da nação e a prudência do investimento Hoje, as escolas de gestão em Portugal vivem um contraste entre o dinamismo das instituições e uma maior cautela por parte das empresas. Embora as organizações continuem a investir na valorização dos seus colaboradores, existe hoje uma maior cautela quando o investimento é feito pelo próprio profissional. Nesse caso, a decisão é mais ponderada, sobretudo devido à preocupação com os custos e com o retorno imediato que a formação pode trazer.
Este cuidado acrescido faz ainda mais sentido à luz de um número que surgiu na discussão: a taxa de desemprego entre os jovens com menos de 25 anos ronda os 23%, claramente acima da taxa de desemprego global, que se situa nos 5,5%. Um desequilíbrio que, mais do que reflectir falta de oportunidades, se traduz sobretudo numa forte compressão salarial nos escalões de entrada - os salários mínimo e mediano estão muito comprimidos , referiu um dos presentes. A academia enfrenta o desafio de se manter relevante num mundo que muda cada vez mais rápido, tornando difícil acompanhar estas mudanças através de estruturas tradicionais. Existe a percepção de que a academia está claramente atrasada . O modelo hiperestruturado que marcou o ensino durante décadas parece já não se adaptar a um contexto global mais volátil e imprevisível. Por isso, um dos principais desafios das escolas é desformatar a academia , o que implica não só actualizar os currículos, mas também mudar a mentalidade dos docentes.
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