Opinião de Alexandre Ruas, Managing director da Claranet Portugal (in “110 Vozes sobre IA Generativa, Bots, Agentes e Robôs”, do Iscte Executive Education)
Por Alexandre Ruas, Managing director da Claranet Portugal (in “110 Vozes sobre IA Generativa, Bots, Agentes e Robôs”, do Iscte Executive Education)
A ultramaratona: construir o humano que permanecerá insubstituível
A segunda corrida é mais lenta, mais silenciosa e, a meu ver, estrategicamente mais bela.
É a corrida das próximas duas, três décadas, e que procurará responder à questão: o que florescerá como diferencial humano num mundo em que a execução cognitiva padronizada for abundante?
A resposta aponta consistentemente para o mesmo conjunto de competências – e para aquilo que, no fundo, sempre nos fez humanos. O julgamento aplicado a situações ambíguas. A capacidade de formular a pergunta certa antes de procurar a resposta. A criatividade que combina domínios distantes. O raciocínio ético em contextos de tensão. A capacidade de analisar e decidir com informação incompleta. A empatia que lê o contexto não explícito. A coragem de sustentar posição contra consenso mal fundamentado. A liderança que dá direção e sentido ao trabalho coletivo. Por incrível que possa parecer, o não termos ou sabermos uma resposta, e que nos motivará à procura.
São as chamadas soft skills – designação que sempre me pareceu modesta demais, pois descreve precisamente o que cada um de nós pode continuar a cultivar ao longo da vida e o que, bem cultivado, se tornará cada vez mais valioso.
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