Formação em liderança e gestão de equipas: o que deve procurar?

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Há uma assimetria curiosa no percurso de muitos gestores: chegam às primeiras posições de liderança pela competência técnica, mas rapidamente percebem que gerir pessoas exige um conjunto de capacidades completamente diferente. Saber fazer não é o mesmo que saber fazer fazer. E essa transição, que apanha muitos de surpresa, raramente se resolve sozinha.

A formação especializada existe precisamente para preencher esse espaço. Mas nem toda a formação em liderança e gestão de equipas produz o mesmo resultado, e escolher mal pode significar perder tempo e dinheiro com conteúdos genéricos que não mudam nada na prática.

Este guia explica o que distingue a formação que transforma da formação que apenas informa, e que critérios deve usar para avaliar as opções disponíveis em Portugal.

Liderança e gestão de equipas: porque são dimensões diferentes

Existe uma tendência para tratar liderança e gestão como sinónimos. São complementares, mas diferentes. Gerir é assegurar que os processos funcionam, que os objetivos são cumpridos, que os recursos estão bem alocados. Liderar é algo que acontece antes disso: criar as condições para que as pessoas queiram contribuir, alinhá-las à volta de um propósito, resolver o que não está escrito em nenhum manual.

A melhor formação nesta área não separa estas duas dimensões. Trabalha-as em conjunto, porque um gestor que sabe gerir mas não sabe liderar terá equipas que cumprem mas não excedem. E um líder sem estrutura de gestão terá entusiasmo sem resultados.

O que procurar, portanto, é um programa que reconheça essa dualidade e que dê ferramentas concretas para as duas.

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As competências que a formação deve desenvolver

profissionais analisam competencias de gestao de equipas e desempenho em conjunto

Antes de avaliar programas, vale a pena ter clareza sobre o que se quer desenvolver. Há competências de liderança transversais a qualquer sector que qualquer formação séria deve contemplar.

A primeira é a inteligência emocional. A capacidade de reconhecer e gerir as próprias emoções, e de ler o estado emocional da equipa, tem impacto directo nos resultados. Não como tema abstracto de auto-conhecimento, mas como ferramenta de gestão do dia a dia: saber quando pressionar, quando recuar, quando ouvir antes de decidir.

A segunda é a gestão do desempenho. Definir expectativas claras, dar feedback que as pessoas conseguem ouvir e agir em consequência, identificar quando alguém está abaixo do potencial e saber como intervir. Estas são competências que se aprendem, não dons inatos, e que têm consequências directas nos resultados da equipa.

A terceira é a gestão da mudança. As organizações estão em transformação constante, e os gestores são frequentemente o ponto de absorção dessa pressão: têm de gerir a incerteza dos seus superiores para baixo e a resistência das suas equipas para cima. Sem ferramentas para isso, o papel torna-se insustentável.

A quarta é a negociação. Não apenas no sentido comercial, mas no sentido interno: alinhar expectativas, gerir conflitos, defender recursos, construir consensos em contextos de interesses divergentes. Um gestor que não sabe negociar perde tempo e energia em fricções que podiam ser evitadas.

Há programas que tratam estas competências como tópicos isolados. Os melhores integram-nas num modelo coerente de desenvolvimento e criam situações em que têm de ser aplicadas, não apenas estudadas.

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Como avaliar um programa de formação em liderança

Não é difícil encontrar formação em liderança. O que é difícil é encontrar formação que faça diferença. Estes são os critérios que devem orientar a avaliação.

Ancoramento em casos práticos. Liderança não se aprende a ler livros. A formação que funciona parte de situações reais, obriga os participantes a tomar decisões com informação incompleta, a gerir tensões dentro do grupo, a ser exposto à perspectiva de quem pensa de forma diferente. Se o programa que está a avaliar tem mais teoria do que simulação, mais conteúdo do que prática, isso é um sinal de alerta.

Integração com a estratégia do negócio. As melhores abordagens à gestão de pessoas não tratam as pessoas como um assunto separado do negócio. Tratam-nas como a variável que determina se a estratégia funciona ou não. Um programa que ensina liderança desligada da realidade organizacional, sem contemplar como é que a gestão de pessoas se articula com os objectivos estratégicos, forma gestores que sabem falar de pessoas mas não as conseguem mobilizar em contexto real.

Corpo docente com experiência dupla. A teoria importa, mas quem nunca geriu uma equipa em contexto de pressão real tem dificuldade em preparar outros para o fazer. Os melhores programas combinam docentes com produção académica sólida com profissionais que trazem experiência de primeira linha das organizações. Essa combinação é difícil de replicar, e faz uma diferença enorme na profundidade das conversas que acontecem dentro da sala.

Componente experiencial em contexto exigente. Há formações em liderança que expõem os participantes a ambientes deliberadamente fora da zona de conforto. Não como exercício de team building, mas como laboratório de comportamento sob pressão real. O que acontece a um gestor quando as regras normais não se aplicam, quando os recursos são escassos e o tempo é curto, diz muito sobre o líder que é e sobre o que precisa de desenvolver. Esse tipo de componente é raro, e quando existe é transformador.

Networking com diversidade sectorial. Uma turma composta por profissionais de áreas muito diferentes, com experiências e perspectivas distintas, multiplica o que se aprende fora das aulas. Gerir uma equipa de engenharia é diferente de gerir uma equipa de vendas, que é diferente de gerir uma equipa clínica. Ter acesso a pessoas que resolveram o mesmo problema em contextos radicalmente diferentes obriga a questionar os próprios pressupostos. Esse atrito entre perspectivas não tem equivalente em sala.

Compatibilidade com o trabalho. Para quem está em funções activas, um programa que exige disponibilidade a tempo inteiro raramente é viável. O formato deve ser pensado para profissionais que não podem abandonar as suas responsabilidades correntes, e a estrutura de horários deve reflectir essa realidade.

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O Executive Master em Gestão Estratégica de Pessoas e Liderança do Iscte Executive Education

equipa multidisciplinar de profissionais debate estrategia de gestao de pessoas em reuniao

O Executive Master em Gestão Estratégica de Pessoas e Liderança do Iscte Executive Education é descrito como um programa distintivo a nível nacional precisamente porque não trata a gestão de pessoas como uma função isolada. O seu modelo parte da ideia de que o desenvolvimento do capital humano tem de estar ancorado na estratégia do negócio, o que é uma diferença fundamental face a formações que abordam a liderança como tema em si mesmo.

O programa tem 9 meses de duração e a estrutura curricular cobre as dimensões que um gestor de pessoas precisa efectivamente de dominar: liderança e equipas de alto desempenho, inteligência emocional, gestão de desempenho, employer branding e experiência do colaborador, transformação digital aplicada à gestão de pessoas, diversidade e inclusão, negociação e mudança organizacional. Não como módulos independentes, mas como um percurso integrado. 

Um dos elementos diferenciadores do programa é a componente residencial na Escola de Liderança dos Fuzileiros da Marinha, desenvolvida em parceria directa com a Escola dos Fuzileiros. É uma experiência pensada para desenvolver liderança e gestão de equipas em condições de pressão real, fora do ambiente controlado de uma sala de aula. Para muitos participantes, é o momento mais revelador do programa: não sobre o que sabem, mas sobre como se comportam quando o contexto é exigente.

O corpo docente combina académicos com investigação produzida na área da gestão de pessoas com profissionais que trabalham com organizações portuguesas de referência, entre os quais se inclui a coordenadora do programa, Generosa do Nascimento. Essa combinação de rigor científico e experiência prática é o que determina a qualidade das conversas que acontecem dentro da sala.

Os testemunhos de antigos participantes reflectem um padrão consistente: profissionais com formação técnica, financeira ou de outra área que chegaram ao programa para estruturar o que já intuíam sobre gestão de pessoas, e encontraram nele ferramentas concretas para o fazer melhor. Filipa Gonçalves, técnica de desenvolvimento de RH no Grupo Renascença Multimédia, sublinhou a combinação entre "a componente mais científica com a componente prática" como o factor diferenciador do corpo docente. Ana Teresa Caboz, coordenadora funcional de RH no Banco de Portugal, descreveu a experiência como "inesquecível e enriquecedora", destacando a possibilidade de trocar experiências com colegas de realidades organizacionais muito distintas.

O programa é dirigido a directores e técnicos de recursos humanos, empresários e gestores que queiram aprofundar competências nesta área, e a profissionais que pretendam transitar para funções de gestão de pessoas. Não é necessário ter background específico em RH: alguns dos participantes mais valorizados chegam exactamente de fora da área e trazem uma perspectiva diferente sobre os problemas.

Se o que procura é formação em liderança e gestão de equipas que combine rigor técnico, experiência prática em contexto exigente e integração com a estratégia do negócio, o Executive Master em Gestão Estratégica de Pessoas e Liderança do Iscte Executive Education é uma das poucas opções nacionais que responde a todos esses critérios em simultâneo.

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