Transformação digital nas empresas: o papel que só a formação certa consegue desempenhar

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Comprar software é fácil, mas mudar a forma como uma organização trabalha é outra história. Muitas empresas investem em plataformas, licenças e consultoria e, meses depois, descobrem que os processos continuam iguais, que as equipas voltaram às folhas de cálculo de sempre e que o retorno prometido ficou pelo caminho. A razão é quase sempre a mesma: a transformação digital nas empresas é, antes de tudo, uma transformação de pessoas.

Este guia explica o que está realmente em causa na transformação digital nas empresas, onde se encontram as empresas portuguesas, que passos seguir para que a mudança resulte e o que se pode aprender com um caso concreto de requalificação em larga escala.

Transformação digital nas empresas: o que é, afinal
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A transformação digital nas empresas é o processo de repensar processos, modelos de negócio, relação com clientes e cultura organizacional com recurso a tecnologias digitais, como a análise de dados, a automação e a inteligência artificial.

O objetivo não é digitalizar o que já existe, mas criar novas formas de gerar valor. Esta distinção é importante: passar faturas de papel para PDF é digitalização, mas usar dados de vendas para prever a procura, automatizar o reporting financeiro ou pôr um agente de IA a responder a clientes fora de horas é transformação. A primeira muda o suporte e a segunda muda o trabalho.

Transformação digital nas empresas portuguesas: onde estamos

Os dados mais recentes sobre a transformação digital das empresas mostram um país a avançar, mas a velocidades muito diferentes. De acordo com o Inquérito à Utilização de TIC nas Empresas do INE, 11,5% das empresas portuguesas usavam tecnologias de inteligência artificial em 2025, mais 2,9 pontos do que no ano anterior. O fosso por dimensão é evidente: quase metade das grandes empresas já recorre à IA, contra menos de uma em cada dez empresas com 10 a 49 trabalhadores.

O dado mais revelador está, porém, nas razões de quem ainda não avançou. Segundo a mesma fonte, 74,4% das empresas que não usam IA apontam a falta de conhecimentos adequados como principal obstáculo, à frente dos custos e das dúvidas legais. Ou seja, a barreira à transformação digital nas empresas portuguesas não é sobretudo financeira nem tecnológica, mas sim de falta de competências.

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Porque é que a tecnologia sozinha não chega

Uma ferramenta nova numa equipa que não sabe o que fazer com ela produz frustração, não resultados. Há três razões pelas quais, na transformação digital das empresas, a formação ocupa um lugar que nenhum investimento tecnológico consegue substituir.

  • Capacidade de identificar oportunidades: só quem conhece o negócio e percebe o que a tecnologia permite consegue dizer onde a automação ou os dados vão gerar mais valor.

  • Adoção: colaboradores que compreendem as ferramentas usam-nas, melhoram-nas e sugerem novas aplicações.

  • Liderança da mudança: gestores sem literacia digital tendem a delegar a transformação no departamento de informática, e a transformação digital nas empresas raramente sobrevive quando é tratada como um projeto de IT.


Guia: cinco passos para uma transformação digital centrada nas pessoas

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1. Diagnosticar antes de comprar

Mapeie processos, identifique tarefas repetitivas, pontos de fricção com clientes, decisões tomadas sem dados e as competências existentes. Uma boa transformação digital nas empresas começa com a pergunta "que problema queremos resolver?" e não com "que software devemos comprar?".

2. Escolher poucos casos de uso, com impacto visível

Na transformação digital das empresas, é melhor começar com dois ou três projetos que mostrem resultados em meses do que com um plano de cinco anos que ninguém sente. Automatizar um relatório semanal, criar um dashboard comercial ou pôr um chatbot a responder às perguntas mais frequentes são exemplos de vitórias rápidas que criam confiança.

3. Envolver a liderança de forma ativa

A administração tem de patrocinar, mas também de compreender. Quando os líderes dominam o essencial sobre dados e IA, fazem melhores perguntas, definem prioridades realistas e dão o exemplo.

4. Formar em camadas

Nem todos os perfis precisam do mesmo na transformação digital das empresas. Uma estratégia de formação eficaz distingue:
  • Líderes e gestores: visão estratégica, avaliação de investimentos tecnológicos e gestão da mudança.
  • Quadros intermédios e especialistas: análise de dados, automação de processos e aplicação de IA ao seu domínio.
  • Equipas técnicas: arquitetura, integração de sistemas e desenvolvimento de soluções.
  • Todos os colaboradores: literacia digital e utilização responsável das ferramentas.
5. Medir, aprender e ajustar

Devem ser definifidos indicadores desde o início: horas poupadas, erros evitados, tempo de resposta ao cliente, taxa de adoção das ferramentas. A transformação digital nas empresas é um processo contínuo, não um projeto com uma data de fim.

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Estudo de caso: o Reboot MC, da Sonae MC

Um dos exemplos mais claros em Portugal de uma transformação digital nas empresas assente em pessoas é o Reboot MC. Segundo o DO it!, a MC, empresa de retalho alimentar do grupo Sonae, lançou com a Code for All_ um programa de reskilling e upskilling em programação para os seus colaboradores, numa resposta à crescente importância da tecnologia no setor. O modelo, descrito pelo CEO da Code for All_ à Executive Digest, combinou uma fase online de formação e identificação de potencial com um bootcamp presencial adaptado a cada grupo. A adesão foi expressiva: de acordo com o Jornal Económico, mais de um terço dos inscritos aderiu voluntariamente, sem estar nos perfis prioritários definidos pela empresa.

A lição deste estudo de caso é clara: a mudança partiu de uma necessidade de negócio, diagnosticou o potencial das pessoas antes de formar e apostou em quem já conhecia a empresa, criando uma adesão que nenhuma imposição consegue. A transformação digital das empresas de menor dimensão faz-se a outra escala, mas a lógica é a mesma: identificar os processos com mais impacto, formar as pessoas certas e medir resultados.

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Que formação para cada papel

A tecnologia está ao alcance de quase todas as organizações. O que distingue as que conseguem transformar-se das que apenas acumulam ferramentas é a capacidade das suas pessoas para usar essa tecnologia com critério. 

A formação certa para a transformação digital das empresas depende por isso de quem precisa de mudar e como. Um gestor que tem de decidir onde aplicar IA precisa de uma visão diferente de um responsável de operações que quer automatizar reporting, ou de um líder técnico que vai integrar sistemas.

As pós-graduações em Digital, Dados e Tecnologia do Iscte Executive Education cobrem precisamente estes perfis. Incluem programas como a Pós-graduação em Inteligência Artificial para Gestão, a Pós-graduação Online em Tecnologias e Inteligência Artificial Aplicadas aos Negócios, a Pós-graduação em Analytics for Business, o Applied Online em AI for Tech Leaders e o Mestrado em Digital Technologies for Business. Todos seguem o conceito Real-Life Learning, com aplicação prática a desafios reais das organizações e horários compatíveis com a vida profissional.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre digitalização e transformação digital?

A digitalização converte processos ou documentos para formato digital. A transformação digital nas empresas vai mais longe e altera a forma de trabalhar, decidir e criar valor.

Por onde deve começar uma PME?

Por um diagnóstico dos processos com mais impacto e por dois ou três casos de uso simples, como automatizar relatórios ou organizar dados de clientes, acompanhados de formação das pessoas envolvidas.

Quem deve liderar a transformação digital nas empresas?

A administração, com o apoio das áreas de negócio e de tecnologia. Quando fica apenas a cargo do departamento de informática, tende a limitar-se à implementação de ferramentas.