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OPINIÃO - A universidade tem um problema de aprendizagem. Não de IA

Written by Iscte Executive Education_ | Oct 6, 2026, 10:23:02 AM

AI in Higher Education Global Survey 2026, do Digital Education Council, tem uma dimensão difícil de ignorar: 45.398 respostas, 27.284 estudantes e 18.114 docentes, em 35 países. E OS números colocam a discussão onde ela deve estar. Não na tecnologia. Mas na aprendizagem.

 

 

 61% dos estudantes dizem que a IA lhes permite perder menos tempo em tarefas repetitivas e concentrar-se mais nas ideias. 31% enfrentam trabalhos mais exigentes. E precisamente isto que queremos: usar tecnologia para elevar a fasquia, não para baixar. Mas aparece imediatamente o outro lado: 21% já têm maior dificuldade em resolver problemas sem IA, 20% dependem dela para produzir melhor trabalho e 19% dizem reter menos conhecimento. Esta é a questão. Não saber fazer um prompt nunca será uma tragédia. Deixar de saber pensar sem um prompt é a tragédia que temos pela frente. Por isso, 66% dos estudantes receiam que a IA torne a aprendizagem demasiado superficial e prejudique pensamento crítico e criatividade. Entre os do-centes, 73% receiam que a utilização de IA esteja a substituir o desenvolvimento cognitivo e as competências dos próprios alunos. A resposta não pode ser proibir. Seria tão absurdo como proibir a calculadora para salvar a matemática. A resposta é redesenhar a aprendizagem. Há conhecimentos que um estudante tem de possuir. Há raciocínio quantitativo que tem de domi-nar. Tem de saber escrever, argumentar, comunicar, discordar, relacionar conhecimento, tomar decisões e trabalhar com outras pessoas. E depois deve usar IA para conseguir fazer mais, melhor e coisas que antes não conseguia fazer. Preocupa-me, particularmente em Portugal, o aluno português. O aluno à procura de um diploma mas sem querer conhecimento, sem curiosidade intelectual e apenas a almejar o output fácil em papel timbrado. Sou licenciado. Sou mestre. Sou MBA. Este aluno é uma preocupação na medida em que não está: a aprender realmente nada. E está a tornar-se dependente em vez de independente. Torna-se dependente para pensar e dependente para decidir. Já agora, a talho de foice, está a tornar-se dependente para assumir responsabilidades? Pois então temos um problema ainda maior. Temos mesmo. Esta fatura vai-se pagar cara nas empresas, mais à frente. Só que a universidade ainda está, na sua grande maioria, longe disto tudo. Apenas 29% dos estudantes consideram os seus professores preparados para os orientar em IA. Só 28% dizem que muitas ou a maioria das avaliações se aproximam das competências e do julgamento que vão precisar num mundo profissional com IA. E apenas 30% consideram os seus programas atuais face à IA e às competências futuras. 

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