“A complexidade do problema da habitação não pode ficar reduzida à parcialidade ideológica; o problema deve, isso sim, ser abordado a partir de uma visão inclusiva, em que se misturam e multiplicam diferentes soluções” - Trecho do artigo do autarca de Lisboa, Carlos Moeda, que vai ser publicado no livro "108 Vozes pela Habitação", coordenado pelo ISCTE Executive Education, e que o Expresso antecipa.
Quando me desafiam para falar sobre o tema da habitação, começo invariavelmente por dizer que este é o maior desafio que enfrentamos hoje. Não só em Lisboa, mas em qualquer grande cidade. Não o digo como um exagero retórico, um velho truque com especial frequência na política, nem o afirmo num tom deliberadamente dramático. Digo-o tal qual aquele se nos apresenta, perante toda a sua gravidade.
O acesso à habitação é hoje um problema para cada vez mais famílias, um desafio que afeta principalmente a classe média e os mais jovens – estes que, procurando a primeira casa ou um apartamento para arrendar, se deparam com valores quase proibitivos, muitas vezes incompatíveis com o salário médio português. Se existe esta dificuldade no acesso à habitação, é natural que as suas consequências se façam notar: menos são evidentemente os jovens que constroem família, e mais são aqueles que se veem obrigados a permanecer em casa dos seus pais. Em Portugal, a idade média de um jovem deixar a casa dos pais está nos 28,9 anos, bem acima dos 21,7 da Dinamarca. Este dado não pode ser dissociado do problema da habitação.
O Iscte Executive Education lança no próximo dia 8 de junho, às 18H30, no Palco Leya da Feira do Livro de Lisboa, o livro «108 Vozes pela Habitação».