Há uma tentação perigosa a instalar-se nas universidades: a de achar que a sua missãojá não é crescer por via do seu modelo de negócio (e, sim, é preciso tê-lo), internacionalizar, incorporar conhecimento, exigência, investigação, ensino, impacto e formação executiva, mas redistribuir intenções, proclamar virtudes e organizar consensos morais. é a mesmíssima tentação que Pedro Santa Clara criticou a propósito do manifesto publicado no The Guardian por Stiglitz, Piketty, Ghosh, Raworth, Hickel e De Schutter: “Nós, economistas, fizemos as contas: o crescimento é uma estratégia condenada.” Bullshit.
O manifesto assenta na crença de que um grupo esclarecido pode substituir a realidade por um guião, os incentivos por direitos adquiridos, a evidência por adesão coletiva e o mérito por construção administrativa.
Ora, a universidade sempre viveu de crescimento: conhecimento, ambição, investigação, empregabilidade, modelo de negócio (para que não se confundam, sim, as universidades precisam de um modelo de negócio; antes de dizerem que a universidade não é um negócio procurem saber o que é um modelo de negócio!) e ligação às empresas, ao Estado e à sociedade. Uma universidade que não cresce empobrece. E empobrece primeiro os estudantes e participantes. A ideia de que o crescimento é suspeito começa por desconfiar da competição. Depois da avaliação. Da hierarquia académica.
Do mérito. No fim, transforma a universidade num espaço onde todos devem ser validados, mesmo quando nem todos estudaram, trabalharam ou produziram o mesmo.
Parece de uma bondade extrema. Não é. é profundamente injusto.
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