Há uma fragilidade nova a instalar-se. Não é psicológica (no sentido literal, mas também é), geracional ou laboral. É fragilidade de construção. Uma geração que chega à universidade e ao trabalho com pais a submeter candidaturas, a acompanhar entrevistas, a ajudar em tarefas profissionais ou até a falar com chefias sobre promoções não revela apenas excesso de proteção. Revela uma falta gritante de autonomia. Falta-lhe qualquer muita coisa antes da empresa. Falta-lhe fundações. E parte dessas fundações perdeu-se quando deixámos de ter heróis. Ou quando deixámos de os levar a sério. O herói nunca foi apenas personagem de banda desenhada, cinema ou infância. Era um modelo narrativo. Uma forma simples de dizer a uma criança: podes ser mais forte do que o medo, mais leal do que o interesse, mais justo do que a conveniência. Tintin procurava a verdade. Astérix defendia a aldeia. Super-Homem ensinava força com contenção. Pippi das Meias Altas mostrava liberdade interior. Shrek lembrava que a rudeza pode esconder coração. Capitão América era dever moral. Lucky Luke fazia justiça sem teatro. Woody liderava cuidando. Não eram bonecos. Eram engenharia moral. Eram fundação.
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