News | Iscte Executive Education

Ligamos a IA. Desligamos o homem? E a liderança?

Written by Iscte Executive Education_ | Aug 24, 2026, 10:34:29 AM

Leão XIV publicou a Magnifica Humanitas para lançar uma pergunta central: conseguiremos continuar humanos na era da inteligência artificial? Eu acrescentaria outra. Conseguiremos continuar líderes e a moldar lideranças?

 

A IA promete rapidez. Escala. Previsão. Eficiência. Decide antes de nós. Escreve por nós. Seleciona pessoas. Avalia desempenhos. Propõe despedimentos. Distribui oportunidades. E é precisamente por estes meandros que começa o perigo.

Um líder pode passar a gerir números e deixar de ver pessoas. Pode chamar racionalidade à distância. Pode achar que produtividade é medo. Pode designar transformação à destruição de vidas.

A encíclica é clara. Quando a técnica se torna o critério absoluto, a pessoa passa a ser tratada como um dado, uma peça ou uma mercadoria. Este é o ponto central. Não é a máquina que desumaniza sozinha. São os homens que a usam para não terem de olhar os outros nos olhos.

Liderar nunca foi apenas calcular. É decidir. Assumir. Ouvir. Proteger. Corrigir. Dar sentido. Reconhecer no outro alguém que não pode ser reduzido ao seu custo, à sua produtividade ou ao seu perfil digital.

A Magnifica Humanitas lembra que uma máquina não conhece compaixão, misericórdia, perdão ou esperança na mudança de uma pessoa. Por isso, decisões sobre trabalho, crédito, reputação ou acesso a oportunidades não podem ser entregues, de forma cega, a sistemas de inteligência automatizada.

Eu não temo uma IA demasiado inteligente. Antes pelo contrário. Temo, isso sim, líderes demasiado preguiçosos para pensar. Demasiado cobardes para decidir. Demasiado fascinados pela eficiência para perceber o sofrimento que provocam.

A responsabilidade não pode desaparecer dentro dos algoritmos. Alguém tem de responder. Explicar. Corrigir. Reparar. Leão XIV insiste na transparência, na prestação de contas e no controlo humano. Sem isso, a tecnologia transforma-se em poder sem rosto.

 

Veja aqui o artigo completo em linktoleaders.com