Dezasseis prémios Nobel e mais de 200 economistas e investigadores assinaram um aviso claro e com a objetividade que tantas vezes falta, e tem faltado, ao debate público: a Inteligência Artificial pode provocar uma mudança económica maior do que a Revolução Industrial, num espaço de tempo muito mais curto.
Temos, portanto, de agir já.
O alerta, divulgado pelo Stanford Digital Economy Lab, parte de uma evidência francamente incómoda. As capacidades da IA avançam mais depressa do que a nossa compreensão dos seus efeitos no emprego, nas empresas, na distribuição da riqueza e nas instituições. Estamos a conduzir demasiado depressa perante dias de nevoeiro intenso.
Parar, por outro lado, também tem consequências. Durante demasiado tempo, tratámos a IA como mais uma ferramenta digital. Ou mesmo uma tecnologia, tout court. Desta forma, com uma licença, um chatbot, um curso rápido para os colaboradores, um aplicativo e o assunto ficaria arrumado. Só que a mudança é francamente mais profunda. Mexe na forma como se decide, trabalha, cria valor, aprende e exerce poder. E estamos a deixar que a IA entre nas escolas, no básico, sem que haja grande pensamento crítico à volta dela. Temo, e isto é uma nota minha, que estejamos a formar pessoas com IA mas sem raciocínio crítico e sem desenvolvimento cognitivo suficiente. Temos de usar IA e ela é inescapável, verdade. Não temos, porém, de a usar de todas as formas e feitios sem qualquer criticidade.
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