A revolução da IA veio para ficar, mas a forma como a vivemos depende menos da magia dos LLM e mais da engenharia e da maturidade das pessoas e das organizações. A máquina pode falar. A última palavra continua a ser nossa.
Quando comecei a trabalhar com inteligência artificial, ela não falava. Não escrevia poemas, não fazia imagens, não preparava apresentações, não respondia com aquela convicção que hoje nos impressiona. Na realidade, não nos entendia sem ser na linguagem dela própria, numa linguagem de programação (LISP, PROLOG). A IA era mais discreta, mais exigente e mais disciplinada. Isto é, menos ambígua, mais clara, menos palavrosa, mais fundamentada. Também não se importava de explicar as conclusões a que chegava. Usava conhecimento explícito, regras, inferência e lógica formal.
Isto aconteceu porque comecei a trabalhar com IA nos anos 1980, 40 anos antes da explosão do GPT. Desde então, a IA generativa faz parte do meu percurso profissional e empresarial. Por isso, a minha contribuição para este livro é, desta vez, um testemunho bastante pessoal.
Os sistemas periciais (relativo a perícia ou perito) eram então o expoente máximo da IA. Procuravam reproduzir o raciocínio de especialistas humanos em domínios específicos, usando conhecimento traduzido em regras.
Era uma abordagem muito mais exigente do que parece: era necessário identificar, formalizar e organizar centenas de regras interligadas, exceções, critérios e mecanismos de inferência que transpunham a experiência acumulada dos peritos e permitiam ao sistema pericial chegar a conclusões com qualidade igual ou superior às obtidas por um especialista humano.
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